Petrobras aumenta valor do diesel na refinaria em 8,9%, após 85 dias

Petrobras aumenta valor do diesel na refinaria em 8,9%, após 85 dias
Publicado em 29/09/2021 às 08h52
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O cenário de aumento no preço do barril de petróleo nos mercados internacionais já tem efeitos práticos no Brasil. A Petrobras anunciou ontem que a partir de hoje o preço médio de venda do diesel nas refinarias da estatal passará de R$ 2,81 para R$ 3,06 – uma alta de 8,89%.

Esse foi o primeiro reajuste no diesel em 85 dias. A companhia explicou que o aumento reflete parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo e da taxa de câmbio. Segundo a nota divulgada pela empresa, a Petrobras evita o repasse imediato para os preços internos devido à volatilidade externa por eventos conjunturais.

De acordo cálculos do Valor Data, considerando o reajuste desta quarta-feira, os preços do diesel nas refinarias acumulam alta de 50,59% em 2021 até o momento.

“Preços internacionais mais altos acabarão por significar preços domésticos mais altos para a gasolina e o diesel no Brasil. A Petrobras aumentou o diesel, o que é uma grande preocupação para a logística brasileira. Os aumentos do preço já levaram à queda dos dois últimos presidentes da Petrobras. A Petrobras precisa manter os preços próximos aos níveis internacionais ou corre o risco de ver a dívida subir novamente”, afirma o analista sênior de petróleo e gás da consultoria Bloomberg Intelligence, Fernando Valle.

Importadores calculam que este reajuste ainda não é suficiente para compensar a defasagem em relação aos preços internacionais. Nos cálculos da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), mesmo depois do aumento, o diesel continua R$ 0,24 abaixo do preço de paridade internacional, o que indica uma defasagem de 7%. Com isso, a associação diz que as operações de importação estão inviáveis.

No caso da gasolina, a Abicom estima que a Petrobras está praticando preços 12% abaixo dos preços internacionais, o que demandaria da estatal aumento de R$ 0,36 centavos por litro. A companhia não anunciou mudanças nos preços da gasolina neste mês e, com isso, o combustível mantém o preço de R$ 2,78 o litro desde 11 de agosto.

Nos cálculos da Ativa Investimentos, a defasagem no preço da gasolina era ontem à tarde de 17%. Ao todo, o preço da gasolina praticado pela estatal nas refinarias acumula alta de 54,71% no ano.

Executivos da Petrobras reafirmaram, em entrevista coletiva nesta semana, que seguem a paridade com os preços internacionais, mas que têm avaliado se as mudanças são estruturais antes de repassá-las ao mercado brasileiro. Desde segunda-feira, diretores da companhia sinalizavam um novo reajuste nos preços.

“A mudança estrutural nos preços hoje [ontem] é o aumento da demanda por diesel, que é sazonal, pela chegada do inverno no Hemisfério Norte”, disse o diretor de comercialização e logística da estatal, Cláudio Mastella em entrevista coletiva na segunda-feira.

Analistas apontam que, além dos combustíveis, o aumento nos preços internacionais do petróleo e do gás também devem afetar o setor de energia elétrica no Brasil. Com a baixa nos reservatórios nas usinas hidrelétricas, que sofrem com a seca, o país aumentou o uso do gás natural para geração termelétrica este ano, de modo a garantir o suprimento de eletricidade.

“O aumento do gás vai desembocar nas contas de luz. Esse preço está sendo pago justamente para tentar evitar um cenário ainda pior, que seriam os apagões, mas, de qualquer maneira, vai haver um impacto nas tarifas de luz e, consequentemente, na inflação. A população está sendo pressionada de todos os lados com aumentos de preços, o que diminuiu o poder aquisitivo e não é bom para nenhum governo”, diz o chefe de pesquisas para o upstream da consultoria Wood Mackenzie, Marcelo de Assis.

Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA